sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Carta a uma Conhecida

Carta a uma Conhecida

O amor não é fogo que arde sem se ver; isso é paixão é desejo e volúpia, não Amor. Porque o amor assim é redundante.
O Amor não é o desejo de fusão entre dois seres, a sensação de colar de colar a pele à pele. O Amor não são olhos, não é rosto, um sorriso, um corpo, uma lágrima. O Amor não é um rubor no rosto na troca de um olhar, uns olhos que brilham, um coração a bater arritmado, uma gaguez, mutismo, um desmaio, umas mãos que se enlaçam. Amar é mais que sentir, amar é mais que emoção. Amar é tudo isso, mas é sobretudo, conviver, partilhar. Conviver significa viver com, partilhar a nossa vida, os nossos sonhos, medos, virtudes, angustias e defeitos. Amar é a cumplicidade entre os amantes. É aceitar as pessoas como elas são, é saber ouvir. É construir uma amizade leal e fiel. Amar é também nunca perder o amor próprio. Ninguém pode amar alguém sem sentir algum amor por si.
 O amor não é louro ou moreno, baixo ou alto, magro ou gordo. O Amor é uma construção e como construção não é finito. É como uma árvore que cresce até morrer. Amar não é conquistar, domar ou ser domado. No amor não há tutelas, não há posses, não há Senhores ou escravos. O Amor é fé, responsabilidade, lealdade e confiança. O Amor não é a fusão entre dois seres (1+1 não pode ser igual a 1). O amor é relacional e não pode nem deve atrofiar a personalidade de cada um. Porque quem perde a sua personalidade, perde a sua independência e autonomia.
O Amor não é uma droga, um vício, uma alienação da realidade. Porque o amor não é sinónimo de perpétua felicidade ou estado orgástico continuo.
Amar alguém é ser solidário na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Porque também para quem vive um amor edílico a vida é feita de traços descontínuos de felicidade.
O Amor não pode ser quantificado, não se ama mais ou menos. O amor é um conceito singular, de um sentimento singular também. Ninguém ama da mesma maneira e quem já amou mais de uma vez, sabe que não amou essas pessoas da mesma maneira. Porque o amor é também uma construção e uma aprendizagem. Quanto mais velho ficamos, mais exigentes nos tornamos, porque vamos adicionando ao conceito de amor, todas as virtudes das pessoas por quem nos enamorámos.
O Amor é também um momento. Quantas pessoas que se amam, nunca chegaram a namorar porque no "timing" certo nenhum teve coragem de se declarar. Muitas vezes a diferença entre uma amizade e o amor é de apenas um beijo que nunca foi trocado! Este é também o momento de eu parar de escrever. 1 beijo. 1996

Sem comentários:

Enviar um comentário