Sou como a água, Inócuo, transparente e inodoro também,
Porque como ela, não sou nada;
Não sou carne nem peixe.
Sou neutro, não exerço influência em ninguém,
Como a chuva que molha e depois passa.
Sou aquilo que se bebe sem se sentir,
por isso o meu efeito efémero;
Não deixo o gosto nem, o rasto da minha presença,
Sou como o vento transparente ...
Os olhares atravessam-me e os sentimentos também,
Por isso quem não me conhece,
pode pensar que tenho um coração de gêlo,
Essa é a minha imagem exterior,
Porque o meu interior é de água,
Límpida e transparente, como as lágrimas.
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